28
Outubro
2020

Revolta da vacina 2.0

Bolsonaro pressiona e Ministério da Saúde recua na compra de 46 milhões de doses da CoronaVac.

Revolta da vacina 2.0

A Charge da revista O Malho, de 29 de outubro de 1904, desenhada por Leonidas Freire (1882 - 1943) ilustra bem o momento atual. ela retrata episódio que entrou para a história como Revolta da Vacina, quando a imunização contra a varíola ganhou ares de guerra no Rio de janeiro, então capital do país. Mais de um século depois, a batalha agora é entre governo federal e estados, pela vacina contra a covid-19.

Em meio à maior pandemia  dos últimos 100 anos e que já  deixou mais de 150 mil mortos  no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro e governadores travam uma “guerra” em torno da CoronaVac, vacina contra a covid-19 que está sendo desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

Se na Revolta da Vacina, em 1904, houve uma rebelião popular em oposição ao imunizante contra a varíola, na “Revolta 2.0” – mais de 100 anos depois – Bolsonaro se rebela contra o próprio governo e outras lideranças políticas. Após o Ministério da Saúde fechar acordo com o governo de São Paulo para comprar 46 milhões de doses da CoronaVac na terça-feira, o presidente criticou a ação publicamente ontem, pressionou internamente e fez com que a aquisição da vacina fosse cancelada. O secretário-executivo do ministério, Elcio Franco, in formou que “não há intenção de compra de vacinas chinesas”, em pronunciamento ontem pela manhã.

Capturar

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), foi o primeiro a reagir pelas redes sociais. “Peço ao presidente Jair Bolsonaro que tenha grandeza e lidere o Brasil para a saúde, a vida e a retomada de empregos. A nossa guerra não é eleitoral, é contra a pandemia. Não podemos ficar uns contra os outros.” Pouco depois, em entrevista, pediu para Bolsonaro mais “sentimento humanitário” (veja ao lado). Doria não fez pressão sozinho. Os governadores são os maiores interessados na CoronaVac, já que a vacina estava prevista para ser inserida no PNI (Programa Nacional de Imunizações), que tem cobertura em todo o território nacional. O acordo entre o estado de São Paulo e o governo federal para a compra das 46 milhões de doses havia sido firmado em uma reunião virtual entre o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e 24 governadores. O chefe do Executivo do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), afirmou que “os governadores irão ao Congresso Nacional e ao Poder Judiciário para garantir o acesso da população a todas as vacinas que forem eficazes e seguras. Saúde é um bem maior do que disputas ideológicas ou eleitorais”.
Outros oito governadores se manifestaram em suas redes sociais contra a decisão do governo federal. Entre eles estão Renato Casagrande (PSB), do Espirito Santo, Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul, e Rui Costa (PT), da Bahia.

Por enquanto...
Na fase três de testes, a CoronaVac é considerada a mais segura até aqui entre os imunizantes apresentados. Dos 9 mil voluntários que tomaram a dose no Brasil, apenas 35% tiveram alguma reação, como dor no local da aplicação ou dor de cabeça. Antes da vacinação começar, o imunizante terá de ser aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

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